Escrito por 15:52 Brasil Conservador Views: 56

Bilhões Roubados: Máquina de Moer Aposentados

Carlos Henrique Araújo – mestre em Sociologia e curador da Academia da Direita.

A CPMI do INSS nasce em uma tradição de CPIs que, quando não são abafadas, costumam expor fatos vergonhosos para a nação. A CPI de PC Farias levou à queda de Collor, em 1992, após revelar um esquema de corrupção no coração do Planalto. A CPI dos Correios desnudou o mensalão no governo Lula, culminando na condenação de 25 políticos e empresários pelo STF, incluindo José Dirceu, um dos “capas‑pretas” do partido dito dos trabalhadores. As CPIs podem virar bisturis contra o abuso de poder e a corrupção contra o erário. A CPMI do roubo dos aposentados lida, hoje, com um escândalo gigantesco que atinge em cheio o projeto de poder petista e alcança o núcleo familiar do presidente Lula.

É preciso ressaltar que as CPIs, previstas formalmente desde a Constituição de 1934, tornaram‑se um dos poucos instrumentos de fiscalização ainda capazes de furar a blindagem de governos e máquinas partidárias enraizadas no Parlamento. A CPI dos Correios, no primeiro governo Lula, mostrou como dinheiro público irrigava esquemas de compra de apoio no Congresso, desmontando o mito da pureza ética vendido pelos petistas e revelando o uso do Estado como caixa de um projeto de poder de longa duração. Em todas essas comissões, o padrão se repete: maiorias governistas trabalham para controlar a pauta e abafar requerimentos, enquanto minorias insistem em convocar figurões, quebrar sigilos e expor as vísceras do sistema.

É nesse contexto que entra a CPMI do INSS: não como fato isolado, mas como mais um capítulo da longa tentativa da esquerda de transformar estruturas do Estado em braços financeiros e políticos de sindicatos e entidades alinhadas ideologicamente. A diferença, nesse caso específico, é que o rastro de dinheiro e influência chega ao círculo íntimo do presidente: ao irmão, apelidado de Frei Chico, e ao filho, sob a alcunha de Lulinha. O fato eleva o escândalo a um patamar de gravidade oceânica, como diria o saudoso Nelson Rodrigues.

Nos últimos anos, desvios em descontos associativos e consignados sobre benefícios do INSS assumiram dimensão de saque sistêmico contra os mais vulneráveis. Auditoria da Controladoria‑Geral da União identificou que os descontos não autorizados podem ter somado até R$ 6,3 bilhões, fruto de filiações forjadas, assinaturas falsas e inclusão fraudulenta de mensalidades associativas em folhas de pagamento de aposentados. Só no primeiro semestre de 2024, aposentados registraram 742.389 reclamações por descontos indevidos; em 95,6% dos casos, declararam nunca ter autorizado as cobranças. Em muitos benefícios, a própria sobrevivência do idoso foi comprometida: descontos mensais somavam centenas de reais, corroendo uma renda já diminuta.

O Tribunal de Contas da União constatou que entidades beneficiadas pelos descontos sequer apresentavam a documentação mínima de consentimento, mesmo quando o INSS formalmente exigia os comprovantes. O ministro relator apontou elevado incremento percentual em descontos concentrados em algumas entidades e vulnerabilidades que evidenciam inequívoco descontrole do modelo de consignação. Lamentavelmente, enquanto o governo Lula 3 vendia a narrativa de Estado protetor, a máquina previdenciária permitia, por omissão, descontrole, corrupção e conivência política, que sindicatos e associações aparelhados sangrassem milhões de aposentados, abrindo espaço para entidades diretamente ligadas ao irmão e ao filho de Lula se beneficiarem desse sistema.

A CPMI do INSS foi instalada para apurar esse esquema de descontos ilegais e fraudes associativas que se expandiu dentro da estrutura do INSS justamente sob o atual governo. O presidente da comissão estimou que mais de 1,6 milhão de aposentados foram atingidos, com indícios de até R$ 1,2 bilhão em movimentações incompatíveis e dezenas de milhões retirados mensalmente dos benefícios. Relatos colhidos pela comissão falam em associações de fachada que compravam dados de beneficiários, cadastravam filiações fictícias e mantinham fluxo contínuo de recursos desviados via folha de pagamento do INSS.

Depoimentos e documentos reunidos pela CPMI já levaram o relator a afirmar que há evidências de organização criminosa em estruturas sindicais que se alimentavam desses descontos, a exemplo do Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos (Sindnapi). É exatamente esse sindicato que tem como vice‑presidente José Ferreira da Silva, o apelidado Frei Chico, irmão do presidente da República: é a conexão direta entre o coração do esquema e um parente de primeiro grau do chefe de Estado. Gravíssimo.

O tal Frei Chico é símbolo de um problema maior: o uso de estruturas sindicais como extensão da família política do presidente, com a conta paga por milhões de aposentados enganados. A apuração parlamentar converge com a Operação Sem Desconto, da Polícia Federal, que descreve um esquema nacional de propinas a servidores do INSS, inserção de dados falsos em sistemas oficiais e uso de entidades de fachada para drenar recursos de aposentadorias e pensões.

O sindicato em que Frei Chico figura como vice‑presidente foi alvo de operações da PF e de decisões de controle que descrevem amplo esquema de fraudes e desvios de dinheiro. Relatórios indicam que o Sindnapi recebeu centenas de milhões de reais em descontos, valor que levou a bloqueios judiciais na casa de R$ 389 milhões, equivalentes a tudo o que o sindicato recebeu em descontos até janeiro de 2025. Ainda assim, quando o INSS abriu processos administrativos contra 12 entidades envolvidas no escândalo, o sindicato ligado ao irmão de Lula ficou de fora da primeira lista, o que forçou o partido Novo a provocar o TCU para incluir o Sindnapi entre os alvos. O quadro é cristalino: um sindicato controlado pelo irmão do presidente é peça‑chave do esquema e, ao mesmo tempo, alvo de tratamento diferenciado por parte da máquina estatal.

Se o irmão aparece no comando de sindicato beneficiado, o filho de Lula surge no rastro de contatos e anotações de operadores do esquema. A apuração policial alcançou menções a Fábio Luís Lula da Silva em documentos e mensagens apreendidos na Operação Sem Desconto, que investiga fraudes em consignados e descontos associativos no INSS. A Polícia Federal identificou pagamentos de R$ 300 mil por mês – somando R$ 1,5 milhão – de empresa ligada a Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS, para outra investigada, com anotações sugerindo repasses relacionados a “filho do rapaz”, expressão que levou parlamentares a apontar possível referência a Lulinha.

Em agenda confiscada, há registro explícito “Fábio (filho Lula)” vinculado a credenciais de camarote de show em Brasília e a um flat em condomínio de luxo, evidenciando proximidade entre o grupo investigado e o núcleo familiar do presidente. Em declarações citadas na CPMI, há indícios de que o filho do presidente teria recebido valores milionários do degenerado Careca do INSS, tese que a comissão está buscando comprovar mediante quebras de sigilo e cruzamento de dados bancários.

Lulinha ainda não foi formalmente acusado como executor direto das fraudes previdenciárias; seu nome surge em menções, anotações e relações pessoais presentes em documentos e materiais apreendidos, como já dito. Mas a insistência desses vínculos torna impossível ignorar o peso político e criminal de sua participação. Quando filho e irmão do presidente aparecem orbitando entidades, operadores e fluxos financeiros ligados ao esquema, o problema deixa de ser meramente administrativo e assume contornos de crise moral no topo do poder: verdadeira crise institucional.

A Operação Sem Desconto, articulada com a CGU e com apoio factual da CPMI, já resultou em presos e medidas patrimoniais robustas. Em uma das fases da operação, a PF prendeu Romeu Carvalho Antunes, filho do lobista Careca do INSS, apontado como operador central dos descontos ilegais em nome de associações e entidades de fachada. A força‑tarefa descreve uma organização criminosa estruturada, com núcleos de captura de dados de aposentados, núcleo de inserção fraudulenta nos sistemas do INSS e núcleo financeiro para lavagem de dinheiro e distribuição de propinas.

O bloqueio de valores ligados a sindicatos e entidades ultrapassa centenas de milhões de reais. A CPMI do INSS trabalha em sintonia com essas operações, requisitando documentos, ouvindo investigados e pressionando por novas diligências capazes de romper a camada de proteção política que cerca sindicatos e aparelhos ideológicos da esquerda.

É necessário dizer que, desde o nascimento da CPMI do INSS, o governo atuou para manter controle sobre a comissão e limitar danos políticos e eleitorais. O Planalto tentou, por todos os meios, evitar a instalação da CPMI; diante do fracasso, buscou assumir o comando da comissão com nomes da base. A estratégia também falhou miseravelmente: a oposição conseguiu eleger um nome para a presidência e outro para a relatoria.

Restou à base governista presença máxima em sessões e linha combinada para barrar requerimentos considerados sensíveis, sobretudo convocações de aliados históricos da esquerda e quebras de sigilo envolvendo figuras próximas à esquerda e ao presidente. Coberturas jornalísticas e manifestações de parlamentares registram verdadeira blindagem na CPMI, com rejeição sistemática de pedidos de convocação de personagens ligados a sindicatos investigados e de aprofundamento do rastreio financeiro de entidades.

Diante da pressão da opinião pública e do avanço das investigações, Lula declarou que, se houver filho seu envolvido no esquema, ele deverá ser investigado, insistindo que ninguém ficará livre. O discurso presidencial, no entanto, é desmascarado pela realidade da atuação de sua base, que trava convocações e esvazia requerimentos justamente quando estes se aproximam do filho e do irmão.

Em resumo, mesmo que a responsabilização penal ainda esteja em construção, a responsabilidade política é inescapável: sob Lula 3, o INSS tornou‑se palco de um esquema bilionário em que irmão e filho do presidente surgem nos flancos sindicais e empresariais da fraude, enquanto o governo se move para blindar exatamente essas pontas sensíveis.

Como já dito, CPIs cumprem um papel que vai além de punir corruptos. Elas expõem o padrão de uso do Estado como ferramenta de projeto ideológico, econômico e de poder. No caso atual, a CPMI do INSS está revelando como a aliança entre governo de viés de esquerda, sindicatos aparelhados e burocracia estatal transforma pobres aposentados em caixa eletrônico de organizações marginais travestidas de defensoras do povo.

As boas expectativas sobre a CPMI repousam em movimentos já visíveis: prisão de operadores, bloqueio de centenas de milhões de reais, quebra da narrativa de que sindicatos são intocáveis e crescente pressão por responsabilização de quem ocupou cargos de comando na Previdência durante o agravamento das fraudes. Se a comissão conseguir romper a blindagem montada pelo Planalto, o país poderá ver responsabilizações que atinjam não apenas executores técnicos, mas também os articuladores políticos e familiares que permitiram que bilhões fossem sugados dos contracheques de milhões de aposentados.

A CPMI do INSS é hoje um dos principais pontos de resistência institucional ao projeto de poder da esquerda; certamente imporá imensos constrangimentos eleitorais à esquerda, ao PT e, em particular, a Lula.

Queira Deus que os culpados paguem por seus crimes tão monstruosos.

Visited 56 times, 1 visit(s) today
Fechar