{"id":7407,"date":"2025-05-15T14:46:01","date_gmt":"2025-05-15T17:46:01","guid":{"rendered":"https:\/\/academiadadireita.com.br\/blog\/?p=7407"},"modified":"2025-05-15T14:46:02","modified_gmt":"2025-05-15T17:46:02","slug":"raizes-da-ideologia-woke","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/academiadadireita.com.br\/blog\/raizes-da-ideologia-woke\/","title":{"rendered":"Ra\u00edzes da Ideologia Woke"},"content":{"rendered":"\n<p>Carlos Henrique Ara\u00fajo, mestre em sociologia e curador da Academia da Direita<\/p>\n\n\n\n<p>No Manifesto Comunista, escrito em 1848, Marx e Engels pregaram abertamente a destrui\u00e7\u00e3o da fam\u00edlia como uma das principais e decisivas armas dos revolucion\u00e1rios. Vale citar um trecho do manifesto em que essa estrat\u00e9gia se explicita por completo:<br>\u201cAboli\u00e7\u00e3o da fam\u00edlia! At\u00e9 os mais radicais ficam indignados com essa infame inten\u00e7\u00e3o dos comunistas. Sobre que fundamento repousa a fam\u00edlia atual, a fam\u00edlia burguesa? Sobre o capital, sobre o lucro privado. A fam\u00edlia plenamente desenvolvida existe apenas para a burguesia; mas encontra seu complemento na aus\u00eancia for\u00e7ada de fam\u00edlia entre os prolet\u00e1rios e na prostitui\u00e7\u00e3o p\u00fablica. A fam\u00edlia do burgu\u00eas cai naturalmente com a queda desse seu complemento, e ambos desaparecem com o desaparecimento do capital. Censurai-nos por querer abolir a explora\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as por seus pr\u00f3prios pais? Confessamos esse crime. Mas dizeis que abolimos as mais sublimes rela\u00e7\u00f5es ao substituirmos a educa\u00e7\u00e3o dom\u00e9stica pela educa\u00e7\u00e3o social.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Mais adiante:<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cE vossa educa\u00e7\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 ela tamb\u00e9m determinada pela sociedade? N\u00e3o \u00e9 determinada pelas rela\u00e7\u00f5es sociais nas quais educais vossos filhos, pela inger\u00eancia mais ou menos direta ou indireta da sociedade atrav\u00e9s das escolas, etc.? Os comunistas n\u00e3o inventaram a influ\u00eancia da sociedade sobre a educa\u00e7\u00e3o; procuram apenas transformar o seu car\u00e1ter, arrancando a educa\u00e7\u00e3o da influ\u00eancia da classe dominante. \u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Trechos em que os autores comunistas atacam os fundamentos da sociedade ocidental s\u00e3o abundantes e chocantes. H\u00e1, inclusive, uma obra inteiramente dedicada a distorcer a hist\u00f3ria humana e acusar as fam\u00edlias dos maiores absurdos poss\u00edveis. Ela se intitula A Origem da Fam\u00edlia, da Propriedade Privada e do Estado. Friedrich Engels, parceiro intelectual de Karl Marx, o pai do comunismo, afirma nesse livro, de 1884:<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;O desmoronamento do direito materno \u00e9 a grande derrota hist\u00f3rica do sexo feminino em todo o mundo.&#8221; Para ele, &#8220;o homem apoderou-se tamb\u00e9m da dire\u00e7\u00e3o da casa; a mulher viu-se degradada, convertida em servidora, em escrava da lux\u00faria do homem, em simples instrumento de reprodu\u00e7\u00e3o&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Veja o germe do discurso feminista radical, aquele que envenena a complementaridade entre homens e mulheres, que passam a ser tratados como inimigos por natureza hist\u00f3rica. Se isso fosse verdade, jamais a sociedade teria se desenvolvido e a parceria natural entre homens e mulheres n\u00e3o teria gerado mais de oito bilh\u00f5es de seres humanos. \u00c9 isso que est\u00e3o ensinando em sala de aula; envenenam nossos estudantes com teorias absurdas que pretendem apenas desconstruir, atacar e deslegitimar.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele continua dizendo que &#8220;essa baixa condi\u00e7\u00e3o da mulher, manifestada sobretudo entre os gregos dos tempos heroicos, e, ainda mais, entre os tempos cl\u00e1ssicos, tem sido gradualmente retocada, dissimulada e, em certos lugares, at\u00e9 revestida de formas de maior suavidade, mas de maneira alguma suprimida.&#8221; Ou seja, para um dos principais te\u00f3ricos marxistas, a opress\u00e3o do homem sobre a mulher suavizou-se, mas continua a dar as cartas da hist\u00f3ria. \u00c9 uma vis\u00e3o puramente ideol\u00f3gica e que se constitui como o fundamento do feminismo e da ideologia de g\u00eanero; o germe ideol\u00f3gico do que est\u00e3o ensinando nas escolas. Para quem duvida de tal estado de coisas, recomenda-se a leitura do livro A Origem da Fam\u00edlia, da Propriedade Privada e do Estado. Certamente, constatar\u00e1 o \u00f3dio imensur\u00e1vel que os comunistas e socialistas dedicaram \u00e0 fam\u00edlia natural. Entretanto, nada disso \u00e9 ao acaso ou fruto de mera ideologia. Marx pregou uma estrat\u00e9gia pensada e repensada para destruir sociedades e transform\u00e1-las em ditaduras do proletariado.<\/p>\n\n\n\n<p>A estrat\u00e9gia de destrui\u00e7\u00e3o da fam\u00edlia e da religi\u00e3o foi desenvolvida ao longo das d\u00e9cadas por in\u00fameras escolas do pr\u00f3prio pensamento marxista. Gramsci, Escola de Frankfurt e o feminismo extremo s\u00e3o algumas correntes que detalharam os meios e formas de destruir fam\u00edlias e fazer emergir um \u201cnovo homem\u201d preparado para a implanta\u00e7\u00e3o do socialismo e do comunismo. Para eles, \u00e9 preciso calar a pluralidade, a d\u00favida saud\u00e1vel e substituir a linguagem, criando um ambiente onde proliferam mitos, invers\u00f5es, clich\u00eas, destrui\u00e7\u00e3o de reputa\u00e7\u00f5es e conflitos forjados. Para o totalitarismo vingar, \u00e9 preciso destruir a coes\u00e3o social e as tradi\u00e7\u00f5es da sociedade. Por isso, partidos autorit\u00e1rios tentam, repetidamente, calar a imprensa, dominar o sistema de ensino, estabelecer a voz \u00fanica, enfim, a hegemonia decantada por Antonio Gramsci (fil\u00f3sofo, ide\u00f3logo e pol\u00edtico italiano \u2013 1891-1937).<\/p>\n\n\n\n<p>Expedientes estrat\u00e9gicos semelhantes a esses foram utilizados para a conquista e manuten\u00e7\u00e3o do poder por fascistas, nazistas, comunistas e ditadores em v\u00e1rias na\u00e7\u00f5es. Hegemonia pol\u00edtica significa que a voz do partido deve ser ecoada em todos os cora\u00e7\u00f5es. Por isso, a propaganda desonesta, o marketing mentiroso, a idolatria por indiv\u00edduos, a falsifica\u00e7\u00e3o da realidade e a reescrita da hist\u00f3ria, distorcendo o passado.<\/p>\n\n\n\n<p>Vamos a outro exemplo. Simone de Beauvoir, em seu livro O Segundo Sexo: fatos e mitos, publicado em 1949, refor\u00e7a a vis\u00e3o do feminismo radical de origem marxista e finca, de vez, as bases da ideologia de g\u00eanero ao atribuir a ideia de feminino n\u00e3o como algo dado por natureza biol\u00f3gica, mas como uma constru\u00e7\u00e3o social perversa, feita por homens dominantes preocupados em oprimir as mulheres. A autora n\u00e3o faz propriamente uma filosofia, mas sim um panfleto feminista que serviria de receita para a luta de mulheres radicalizadas.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar de sua controvertida biografia, simpatizante do nazismo e envolvida em casos de pedofilia, ela ficou famosa e influente em c\u00edrculos intelectuais alternativos e, aos poucos, tornou-se dominante em sociedades que sofrem hegemonia esquerdista de pensamento. No Brasil, dominado pelos petistas, incrivelmente, seus panfletos chegaram at\u00e9 ao Enem: Exame Nacional do Ensino M\u00e9dio. Vejamos uma p\u00e9rola de seu pensamento:<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Poucos mitos foram mais vantajosos do que esse (o mito da mulher) para a casta dominante: justifica todos os privil\u00e9gios e autoriza mesmo a abusar deles. Os homens n\u00e3o precisam preocupar-se em aliviar os sofrimentos e encargos que s\u00e3o fisiologicamente a parte da mulher, porquanto \u2018s\u00e3o da vontade da Natureza\u2019; eles se valem do pretexto para aumentar ainda a mis\u00e9ria da condi\u00e7\u00e3o feminina, para denegar, por exemplo, \u00e0 mulher, qualquer direito ao prazer sexual, para faz\u00ea-la trabalhar como um animal de carga.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Marcuse, proeminente intelectual comunista, revela o poder da estrat\u00e9gia em seu Eros e Civiliza\u00e7\u00e3o de 1955:<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cSexualidade polim\u00f3rfica (qualidade ou condi\u00e7\u00e3o do que est\u00e1 sujeito a mudar de forma ou do que se apresenta sob diversas formas) foi a express\u00e3o que usei para indicar que a nova dire\u00e7\u00e3o de progresso dependeria completamente de oportunidade de ativar necessidades org\u00e2nicas, biol\u00f3gicas, que se encontram reprimidas ou suspensas, isto \u00e9, fazer do corpo humano um instrumento de prazer e n\u00e3o de labuta.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 o estabelecimento do vale-tudo para a vida sexual humana e sua consequente destrui\u00e7\u00e3o. A promo\u00e7\u00e3o da desordem sexual \u00e9 corrosiva. Os anos 1960 e 1970 foram prof\u00edcuos aos revolucion\u00e1rios do sexo. Muitos conceitos absurdos, por eles inventados, tornaram-se hegem\u00f4nicos entre as elites universit\u00e1rias.<\/p>\n\n\n\n<p>Veja o que diz Kate Millett, feminista socialista americana, em seu livro Pol\u00edtica Sexual, publicado em 1970:<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Uma revolu\u00e7\u00e3o sexual exigiria antes de mais nada, talvez, o fim das inibi\u00e7\u00f5es e tabus sexuais, especialmente aqueles que mais amea\u00e7am o casamento mon\u00f3gamo tradicional: a homossexualidade, a ilegitimidade, as rela\u00e7\u00f5es sexuais pr\u00e9-matrimoniais e na adolesc\u00eancia. Deste modo, o aspecto negativo no qual a atividade sexual tem sido geralmente envolvida seria necessariamente eliminado, juntamente com o c\u00f3digo moral ambivalente e a prostitui\u00e7\u00e3o&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Ou:<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;No contexto de uma pol\u00edtica sexual, transforma\u00e7\u00f5es verdadeiramente revolucion\u00e1rias deveriam ter influ\u00eancia, \u00e0 escala pol\u00edtica, sobre as rela\u00e7\u00f5es entre os sexos.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Ou, ainda:<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Uma revolu\u00e7\u00e3o sexual acabaria com a institui\u00e7\u00e3o patriarcal, abolindo tanto a ideologia da supremacia do macho como a tradi\u00e7\u00e3o que a perpetua atrav\u00e9s do papel, condi\u00e7\u00e3o e temperamento atribu\u00eddos a cada um dos dois sexos&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Vejamos agora Shulamith Firestone, em seu livro de 1970, A Dial\u00e9tica do Sexo: o caso da Revolu\u00e7\u00e3o Feminista:<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cE assim como a meta final da revolu\u00e7\u00e3o socialista era n\u00e3o s\u00f3 acabar com o privil\u00e9gio da classe econ\u00f4mica, mas com a pr\u00f3pria distin\u00e7\u00e3o entre classes econ\u00f4micas, a meta definitiva da revolu\u00e7\u00e3o feminista deve ser igualmente n\u00e3o simplesmente acabar com o privil\u00e9gio masculino, mas com a pr\u00f3pria distin\u00e7\u00e3o de sexos: as diferen\u00e7as genitais entre os seres humanos j\u00e1 n\u00e3o importariam culturalmente&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Tudo isso \u00e9 a ponta do iceberg de uma guerra cultural antiga que a esquerda decretou contra os valores ocidentais e crist\u00e3os. Para comunistas e socialistas, os inimigos s\u00e3o a fam\u00edlia, a propriedade e a religiosidade. Eles tentam revitalizar a hegemonia esquerdista chocando e avacalhando a normalidade. Pior, avan\u00e7am cada vez mais com essas desconcertantes loucuras.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<div class=\"tmnf_excerpt meta_deko\"><p>Carlos Henrique Ara\u00fajo, mestre em sociologia e curador da Academia da Direita No Manifesto Comunista, escrito em 1848, Marx e Engels pregaram abertamente a destrui\u00e7\u00e3o da fam\u00edlia como uma das principais e decisivas armas dos revolucion\u00e1rios. Vale citar um trecho do manifesto em que essa estrat\u00e9gia se explicita por completo:\u201cAboli\u00e7\u00e3o da fam\u00edlia! 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