{"id":7437,"date":"2025-07-30T13:49:50","date_gmt":"2025-07-30T16:49:50","guid":{"rendered":"https:\/\/academiadadireita.com.br\/blog\/?p=7437"},"modified":"2025-07-30T13:49:51","modified_gmt":"2025-07-30T16:49:51","slug":"algumas-notas-sobre-seguranca-publica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/academiadadireita.com.br\/blog\/algumas-notas-sobre-seguranca-publica\/","title":{"rendered":"Algumas Notas sobre Seguran\u00e7a P\u00fablica"},"content":{"rendered":"\n<p>Carlos Henrique Ara\u00fajo \u2013 mestre em sociologia e Curador da Academia da Direita.<\/p>\n\n\n\n<p><br>\u201cN\u00e3o \u00e9 a mis\u00e9ria o motor do crime \u2014 \u00e9 a escolha fria e racional de obter lucro il\u00edcito diante do custo e benef\u00edcio de leis frouxas e Estado ausente.\u201d Pessi e Giardin, em Bandidolatria e Democ\u00eddio, sentenciam: \u201cO bandido n\u00e3o \u00e9 v\u00edtima, mas calculista que aposta na impunidade e, assim, lucra com a covardia institucional.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p><br>A barb\u00e1rie n\u00e3o pede licen\u00e7a: ela toma territ\u00f3rio, se organiza, ajusta o rel\u00f3gio das institui\u00e7\u00f5es ao seu tempo e compraz-se em ver jornalistas e especialistas justificando sua exist\u00eancia. Os n\u00fameros s\u00e3o implac\u00e1veis \u2014 e, a cada atualiza\u00e7\u00e3o, imp\u00f5em o infinito da vergonha nacional. Abaixo, seguem notas que tocam em pontos centrais de nossa inseguran\u00e7a cotidiana. N\u00e3o esgotam o assunto, mas podem embasar novas reflex\u00f5es sobre a seguran\u00e7a p\u00fablica.<\/p>\n\n\n\n<p><br><strong>Homic\u00eddios: Vergonha em Perspectiva Global<\/strong><br>Os dados mais recentes mostram que, em 2023, o Brasil atingiu uma taxa de 22,8 homic\u00eddios por 100 mil habitantes. No in\u00edcio de 2024, a taxa caiu para 17,9 por 100 mil, ainda assim formando uma montanha de cad\u00e1veres quando comparado a pa\u00edses do primeiro mundo. Para efeito de compara\u00e7\u00e3o, em 2023: Brasil 22,8; Col\u00f4mbia 21,5; M\u00e9xico 25,2; EUA 6,3; Fran\u00e7a 1,2; Alemanha 0,9; Jap\u00e3o 0,3 homic\u00eddios por 100 mil habitantes.<br>Entre as chagas mais graves do nosso mapa da viol\u00eancia, sobressai a geografia da morte nos munic\u00edpios. Em 2023, o triste p\u00f3dio ficou com Maranguape, no Cear\u00e1: 79,9 homic\u00eddios por 100 mil habitantes, \u00edndice oito vezes superior ao de pa\u00edses desenvolvidos. Na sequ\u00eancia, Jequi\u00e9 (BA) com 77,6, Juazeiro (BA) com 76,2, Cama\u00e7ari (BA) com 74,8 e Cabo de Santo Agostinho (PE) com 73,3 exp\u00f5em o apogeu da barb\u00e1rie municipal.<\/p>\n\n\n\n<p><br>Em comum, essas cidades compartilham o cerco de fac\u00e7\u00f5es, disputa sanguin\u00e1ria pelo tr\u00e1fico e a capitula\u00e7\u00e3o de governos locais diante do crime organizado. Mais alarmante: entre as dez cidades mais violentas do pa\u00eds, todas est\u00e3o no Nordeste, refletindo o fracasso das pol\u00edticas de seguran\u00e7a e a omiss\u00e3o estatal diante do dom\u00ednio das fac\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p><br>O cotidiano nessas urbes tornou-se express\u00e3o brutal do que chamam novo canga\u00e7o: vidas sob mira, poder p\u00fablico ref\u00e9m, moradores a quem s\u00f3 resta sobreviver entre tiros e sil\u00eancios. S\u00e3o exemplos gritantes de como a aus\u00eancia de autoridade e o avan\u00e7o do crime transformam territ\u00f3rios inteiros em laborat\u00f3rios da estat\u00edstica mortu\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p><br><strong>2016: O Pior Ano da Barb\u00e1rie Brasileira<\/strong><br>O pa\u00eds atingiu o fundo do po\u00e7o: foram 62.517 homic\u00eddios e uma taxa de 30,3 assassinatos por 100 mil habitantes. Nenhum outro ano transformou tanto o solo nacional em campo de matan\u00e7a, exibindo ao mundo a face mais selvagem do fracasso institucional. N\u00e3o foi obra do acaso, tampouco da tal \u201cdesigualdade estrutural\u201d \u2014 inven\u00e7\u00e3o de termos queridos por acad\u00eamicos, especialistas e palpiteiros de toda ordem. Foi, como denunciam Diego Pessi e Leonardo Giardin em Bandidolatria e Democ\u00eddio, a confirma\u00e7\u00e3o de um modelo garantista e leniente, que oferece ao criminoso o tapete vermelho da impunidade e ao cidad\u00e3o comum o caix\u00e3o lacrado da estat\u00edstica. Aquele ano escancarou a fal\u00eancia de todas as estrat\u00e9gias supostamente libertadoras e doentias sa\u00eddas das ONGs, universidades e gabinetes progressistas. Consagrou o Brasil como laborat\u00f3rio mundial de crimes e criminosos, exibindo \u201ca mais eficiente m\u00e1quina mort\u00edfera fora de zonas de guerra\u201d, como ironizava Olavo de Carvalho.<\/p>\n\n\n\n<p><br>N\u00e3o h\u00e1 justificativa social que resista ao concreto dos n\u00fameros: nem toda mis\u00e9ria produz homicidas e o tributo de sangue foi pago, sobretudo, pela escolha consciente dos canalhas, diante de um Estado intimidado e c\u00famplice. O que vimos foi a vingan\u00e7a perfeita da permissividade jur\u00eddica, do sistema penal frouxo e de leis desmoralizadas: uma demonstra\u00e7\u00e3o cabal de que, sem rigor e puni\u00e7\u00e3o real, a barb\u00e1rie n\u00e3o apenas cresce, ela se institucionaliza.<\/p>\n\n\n\n<p><br><strong>Latroc\u00ednio: O Roubo que Mata<\/strong><br>Latroc\u00ednio, a modalidade de roubo seguida de morte, tornou-se o cart\u00e3o de visitas da selvageria nacional. S\u00f3 em 2023, foram 1.555 v\u00edtimas fatais \u2014 uma morte a cada seis horas \u2014, com destaque para o Sudeste e o Nordeste. E detalhe: a letalidade dos latroc\u00ednios supera a dos principais crimes patrimoniais na maioria dos estados. Mesmo com o crescimento de dispositivos de seguran\u00e7a, a aud\u00e1cia dos criminosos desafia qualquer estrat\u00e9gia convencional. Em 2024, a taxa de resolu\u00e7\u00e3o desses crimes permanece um esc\u00e1rnio: menos de 22% chegam \u00e0 condena\u00e7\u00e3o. Se \u00e9 verdade que \u201cbandido n\u00e3o \u00e9 v\u00edtima\u201d, tamb\u00e9m \u00e9 certo que a v\u00edtima, no Brasil, foi expulsa do centro da pol\u00edtica criminal.<\/p>\n\n\n\n<p><br><strong>Viol\u00eancia Contra Policiais: Linchamento de Farda<\/strong><br>Ser policial \u00e9 assinar um compromisso di\u00e1rio com a roleta russa. Em 2023, foram 192 policiais militares v\u00edtimas de homic\u00eddio no Brasil, sem contar centenas de feridos e dezenas de tentativas de emboscada. A cada tr\u00eas dias, um agente de seguran\u00e7a p\u00fablica \u00e9 morto. N\u00e3o \u00e9 acaso: \u00e9 pol\u00edtica de exterm\u00ednio de um Estado omisso, m\u00eddia militante e sistema judici\u00e1rio que adora transformar o policial em r\u00e9u e o criminoso em v\u00edtima. O absurdo: mais da metade dos casos n\u00e3o chega a processo judicial, e o policial ca\u00eddo \u00e9 lembrado apenas pela fam\u00edlia \u2014 nunca pela imprensa progressista. A farda virou alvo e motivo de esc\u00e1rnio pela desmoraliza\u00e7\u00e3o programada e orquestrada.<\/p>\n\n\n\n<p><br><strong>Estupro: A Praga das Trevas<\/strong><br>Nada escancara tanto a fal\u00eancia \u00e9tica quanto o estupro \u2014 e sua epidemia nauseante. O Brasil registrou 83.114 v\u00edtimas de estupro em 2024, quase 227 por dia, e 82.204 em 2023, consolidando a \u201cind\u00fastria da humilha\u00e7\u00e3o\u201d em territ\u00f3rio nacional. \u00c9 praga que se perpetua: crian\u00e7as e adolescentes somaram 164.199 v\u00edtimas entre 2021 e 2023, uma ocorr\u00eancia a cada oito minutos, numa rotina de horror que se perpetua em sil\u00eancio e impot\u00eancia estatal. Em 2023, 74,5% dos casos envolveram v\u00edtimas vulner\u00e1veis, incapazes at\u00e9 mesmo de se defender. Num pa\u00eds onde a maioria das v\u00edtimas sequer denuncia, o iceberg da abje\u00e7\u00e3o \u00e9 muitas vezes maior do que os registros oficiais ousam mostrar.<\/p>\n\n\n\n<p><br>Os n\u00fameros s\u00e3o claros: o estupro n\u00e3o \u00e9 exce\u00e7\u00e3o; \u00e9 m\u00e9todo e epidemia. O Estado, ref\u00e9m da ret\u00f3rica humanista, limita-se ao lamento burocr\u00e1tico. Criam-se campanhas midi\u00e1ticas enquanto, a cada esquina, uma v\u00edtima \u00e9 silenciada, mais um predador \u00e9 solto, mais uma crian\u00e7a \u00e9 marcada. Como diz Gilberto Callado, \u201ca permissividade jur\u00eddica \u00e9 o solo f\u00e9rtil no qual se cultiva o monstro social\u201d. O Brasil, que romantiza o agressor, perpetua o ciclo da viol\u00eancia e preserva intacta a f\u00e1brica de traumas. N\u00e3o \u00e9 falha: \u00e9 projeto.<\/p>\n\n\n\n<p><br><strong>Roubo de Cargas e Faroeste em Bancos: A Ind\u00fastria da Agress\u00e3o.<\/strong><br>O roubo de cargas explodiu, tornando rodovias verdadeiros corredores de banditismo industrializado. S\u00f3 em 2023, foram registradas 4.585 ocorr\u00eancias \u2014 com destaque para S\u00e3o Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, que concentraram 86% dos casos. As quadrilhas evolu\u00edram do improviso para opera\u00e7\u00f5es militares: intercepta\u00e7\u00f5es em movimento, escoltas armadas, log\u00edstica de guerra.<\/p>\n\n\n\n<p><br>A cada ataque, uma frota de empresas prejudicadas, consumidores aumentando despesas e caminhoneiros ref\u00e9ns da barb\u00e1rie. Assaltos a bancos? O Brasil inventou o faroeste moderno \u2014 rajadas de metralhadora, dinamite, ref\u00e9ns expostos em cal\u00e7adas, centros de pequenas cidades sitiadas como nos velhos filmes de canga\u00e7o, s\u00f3 que agora transmitidos via WhatsApp. A modalidade \u201cNovo Canga\u00e7o\u201d imp\u00f5e terror e humilha\u00e7\u00e3o coletiva: quadrilhas bloqueiam estradas, fazem ref\u00e9ns humanos e fogem tranquilamente, certos da incapacidade cr\u00f4nica das autoridades.<\/p>\n\n\n\n<p><br><strong>O P\u00e2nico do Estado: Terrorismo, M\u00e1fia e o Reino das Fac\u00e7\u00f5es<\/strong><br>O tr\u00e1fico de drogas brasileiro \u00e9 a art\u00e9ria central da criminalidade globalizada, pilotada por corpora\u00e7\u00f5es mafiosas como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV), dentre in\u00fameras outras fac\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p><br>O Brasil, escoadouro de normas frouxas e garantismo suicida, viu o PCC transformar a guerra subterr\u00e2nea em espet\u00e1culo a c\u00e9u aberto. Em 2006, a fac\u00e7\u00e3o mostrou que a for\u00e7a do Estado n\u00e3o passava de uma piada de gabinete: rebeli\u00f5es simult\u00e2neas em 84 pres\u00eddios, 82 \u00f4nibus incendiados, dezenas de ag\u00eancias banc\u00e1rias alvejadas e 42 policiais mortos. N\u00fameros que fariam inveja a qualquer organiza\u00e7\u00e3o terrorista como o Hamas e o Hezbollah.<br>O PCC, fundado em 1993 como \u201cpartido do crime\u201d para vingar o massacre do Carandiru, virou m\u00e1quina de domina\u00e7\u00e3o: presen\u00e7a consolidada em 24 estados, conex\u00e3o com m\u00e1fias internacionais, faturamento anual que faz corar empresas do Ibovespa. A face terrorista n\u00e3o \u00e9 ret\u00f3rica \u2014 \u00e9 metralhadora, fuzil, explosivo, homic\u00eddio transmitido ao vivo. O terror \u00e9 m\u00e9todo. O Estado? Rebaixado a ref\u00e9m, com governadores exigindo clem\u00eancia e policiais ca\u00e7ados como presas f\u00e1ceis para apaziguar o \u201cdireito alternativo\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><br>Hoje, o PCC \u00e9 a maior m\u00e1fia da Am\u00e9rica Latina, com 40.000 membros efetivos e cerca de 60.000 \u201ccontratados\u201d. Expande neg\u00f3cios para a Europa, \u00c1frica e domina mais de 50% do fluxo de coca\u00edna entre Brasil e Europa. O cartel paulista formalizou acordos com m\u00e1fias italianas como a \u2018Ndrangheta, lava milh\u00f5es no mercado legal e exporta viol\u00eancia como commodity nacional. Seu faturamento supera US$ 1 bilh\u00e3o ao ano desde 2020, financiando assassinatos, rebeli\u00f5es, tr\u00e1fico internacional e influ\u00eancia pol\u00edtica. Do outro lado da trincheira, o Estado, covarde, perdeu a soberania dos morros e periferias para fac\u00e7\u00f5es que agora exportam seu know-how mort\u00edfero.<\/p>\n\n\n\n<p><br>O Comando Vermelho, por exemplo, gerado no caldeir\u00e3o da Ilha Grande em 1979, nasceu do casamento entre assaltantes de banco e revolucion\u00e1rios frustrados: criou o \u201ccaixa comum\u201d do crime, inventou a log\u00edstica do tr\u00e1fico, ergueu muralhas de sangue e d\u00edzimo sobre territ\u00f3rios inteiros. O CV transformou-se em multinacional do terror.<br>O CV foi al\u00e9m das favelas cariocas, instalando-se como parceiro estrat\u00e9gico de narcos e grupos armados no Peru, Col\u00f4mbia e Venezuela. O CV reina nas fronteiras do Amazonas e utiliza a intimida\u00e7\u00e3o e o terror para impor controle social e eliminar qualquer resist\u00eancia. Conflitos abertos com autoridades deixaram centenas de mortos: s\u00f3 em 2023, 13 traficantes do CV foram mortos em opera\u00e7\u00e3o policial em S\u00e3o Gon\u00e7alo, recorde contest\u00e1vel at\u00e9 para os padr\u00f5es brasileiros.<\/p>\n\n\n\n<p><br>Mais de 58% do territ\u00f3rio do Rio de Janeiro est\u00e1 sob o dom\u00ednio paramilitar, ou seja, anomia institucional plena. Mil\u00edcias controlam \u00e1reas, transporte, acesso a servi\u00e7os p\u00fablicos, extors\u00e3o, tr\u00e1fico de drogas e imp\u00f5em sua lei, \u00e0 bala e \u00e0 sombra de mandatos eleitorais. \u201cO que era exce\u00e7\u00e3o virou nova ordem: as mil\u00edcias desconstroem a legitimidade estatal e plantam sua pr\u00f3pria ordem, violenta e paralela.\u201d Chame de \u201cinvas\u00e3o vertical dos b\u00e1rbaros\u201d, como pregava M\u00e1rio Ferreira dos Santos. Certamente, n\u00e3o restar\u00e1 pedra sobre pedra ap\u00f3s d\u00e9cadas de permissividade conivente.<\/p>\n\n\n\n<p><br>O controle territorial por fac\u00e7\u00f5es e mil\u00edcias n\u00e3o \u00e9 apenas geogr\u00e1fico: \u00e9 ps\u00edquico, cultural, institucional. Assistimos a uma insurg\u00eancia criminal sustent\u00e1vel, onde leis e soberania nacional se dissolvem em becos e periferias. No Par\u00e1, no Amazonas e na fronteira oeste, m\u00e1fias organizam ex\u00e9rcitos paralelos, cooptam pol\u00edcias e exportam seus produtos \u2014 drogas, armas, \u201cservi\u00e7os\u201d criminosos \u2014 sem obst\u00e1culos relevantes. O Estado? Paralisado, c\u00famplice ou distra\u00eddo.<\/p>\n\n\n\n<p><br><strong>Bandido: C\u00e1lculo Frio, N\u00e3o V\u00edtima Rom\u00e2ntica<\/strong><br>\u00c9 preciso dizer o \u00f3bvio: nem todo pobre \u00e9 criminoso, nem todo \u00f3rf\u00e3o vira assaltante. O cometimento de crimes \u00e9 sempre resultado de um c\u00e1lculo racional em busca de ganhos il\u00edcitos frente \u00e0 certeza quase absoluta da impunidade. \u201cTodas as teorias sociais que justificam o criminoso como \u2018v\u00edtima da sociedade\u2019 s\u00e3o apenas \u00e1libis sofisticados para fugir da responsabilidade moral\u201d, ensina Olavo de Carvalho em O Jardim das Afli\u00e7\u00f5es.<br>A criminalidade \u00e9 fen\u00f4meno de escolha, n\u00e3o de destino. H\u00e1 milh\u00f5es de brasileiros em extrema pobreza que jamais cometeram delitos. O criminoso, por sua vez, \u00e9 aquele que pesou riscos, vantagens, puni\u00e7\u00f5es e apostou na vantagem do sistema colapsado.<\/p>\n\n\n\n<p><br><strong>O Armamento: Direito Natural de Defesa<\/strong><br>No Brasil, a legisla\u00e7\u00e3o sobre armamento \u00e9 das mais restritivas do mundo. Apenas maiores de 25 anos, sem antecedentes e ap\u00f3s longa burocracia, podem manter arma em casa \u2014 restri\u00e7\u00e3o absurda para um pa\u00eds sitiado pelo crime. A posse, limitada por \u201cefetiva necessidade\u201d, virou artif\u00edcio para negar \u00e0 popula\u00e7\u00e3o o direito natural de autodefesa. \u201cO direito de portar armas \u00e9, antes de tudo, o direito \u00e0 resist\u00eancia \u00e0 tirania e \u00e0 viol\u00eancia\u201d, j\u00e1 advertia Olavo de Carvalho.<\/p>\n\n\n\n<p><br>Proteger-se e proteger os seus \u00e9 express\u00e3o \u00faltima do instinto de sobreviv\u00eancia civilizacional, anterior e superior a qualquer protocolo estatal. Como novamente adverte Olavo de Carvalho, \u201ca leg\u00edtima defesa \u00e9 direito origin\u00e1rio do ser humano, n\u00e3o concess\u00e3o graciosa de burocratas, nem brinquedo de legisla\u00e7\u00f5es de ocasi\u00e3o.\u201d Pa\u00edses que gritam por \u201cdesarmamento social\u201d oferecem aos criminosos o conforto da imunidade, subtraindo ao cidad\u00e3o ordeiro n\u00e3o s\u00f3 a possibilidade de resistir, mas o senso de autonomia e responsabilidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-left\"><br><strong>O Brasil Mais Armado: O Que Dizem os N\u00fameros<\/strong><br>Os dados desmascaram o p\u00e2nico midi\u00e1tico e os pseudoespecialistas. Entre 2017 e 2022, o n\u00famero de armas de fogo registradas entre civis saltou 144%, passando de cerca de 637.972 para mais de 1,5 milh\u00e3o de registros ativos. Ainda, a categoria de ca\u00e7adores, atiradores e colecionadores (CACs) saltou de 117 mil para quase 783 mil.<\/p>\n\n\n\n<p><br>Sob o governo Bolsonaro, a popula\u00e7\u00e3o armada cresceu quase sete vezes somente entre 2018 e 2022. Em 2023, o Brasil j\u00e1 superava 2 milh\u00f5es de armas legais nas m\u00e3os de cidad\u00e3os comuns, com fiscaliza\u00e7\u00f5es centralizadas sob a Pol\u00edcia Federal e o Ex\u00e9rcito.<\/p>\n\n\n\n<p><br>A experi\u00eancia mostra que o bandido se arma sem qualquer burocracia; quem fica vulner\u00e1vel \u00e9 a fam\u00edlia de bem. A criminalidade adora desarmar a v\u00edtima: elimina o risco e potencializa lucros. N\u00e3o h\u00e1 liberdade poss\u00edvel sem o direito \u00e0 autodefesa \u2014 seja de familiares, de vizinhos ou do cidad\u00e3o comum. \u00c9 li\u00e7\u00e3o elementar que ju\u00edzes, especialistas, soci\u00f3logos e advogados militantes fingem n\u00e3o compreender.<\/p>\n\n\n\n<p><br><strong>Mais Armas, Menos Viol\u00eancia?<\/strong><br>O discurso f\u00e1cil de \u201cmais armas, mais crimes\u201d n\u00e3o resiste aos fatos. Justamente no auge da facilita\u00e7\u00e3o do acesso a armas legais (2018-2019), o Brasil viu a taxa de homic\u00eddios cair de 30,9 para pouco mais de 22 por 100 mil habitantes. No mesmo sentido, o n\u00famero de mortes causadas por armas de fogo recuou de 48.650 em 2017 para 33.136 em 2019, com leve subida em 2020. N\u00e3o foi a arma na m\u00e3o do homem decente que sangrou o pa\u00eds e, sim, o Estado que se recusa a castigar o canalha, como sentenciava Gilberto Callado.<\/p>\n\n\n\n<p><br>Na compara\u00e7\u00e3o internacional, pa\u00edses como Estados Unidos e Uruguai, com \u00edndices muito superiores de armas legais per capita, apresentam taxas de criminalidade controlada e grandes bols\u00f5es territoriais de estabilidade institucional. Armar o cidad\u00e3o de bem, portanto, n\u00e3o \u00e9 estimular o caos. \u00c9 reconhecer que a vida comum vale alguma coisa.<\/p>\n\n\n\n<p><br><strong>A Conviv\u00eancia entre Autodefesa e Ordem<\/strong><br>Tirar a arma do cidad\u00e3o n\u00e3o protege a sociedade; apenas incentiva o bandido. O Estado n\u00e3o pode estar em cada esquina, tampouco no quarto ao lado quando o terror arromba a porta. \u201cA puni\u00e7\u00e3o rigorosa e o direito de rea\u00e7\u00e3o s\u00e3o as verdadeiras barreiras contra as hordas modernas\u201d, j\u00e1 alertava M\u00e1rio Ferreira dos Santos em seu estudo ontol\u00f3gico da ordem.<\/p>\n\n\n\n<p><br>O rigor das leis criminais, o encarceramento do infrator e o direito de leg\u00edtima defesa n\u00e3o s\u00e3o faces opostas, mas parte da mesma engrenagem: impedir que bandidos sejam exaltados como v\u00edtimas e que as v\u00edtimas n\u00e3o sejam apenas inc\u00f4modos estat\u00edsticos.<\/p>\n\n\n\n<p><br><strong>Leis Criminais: O Fiasco Garantista<\/strong><br>Audi\u00eancia de cust\u00f3dia \u00e9 s\u00edmbolo inequ\u00edvoco da impunidade nacional. Criadas para \u201cevitar abusos\u201d, converteram-se em porta girat\u00f3ria para reincidentes. Policiais s\u00e3o culpados at\u00e9 prova em contr\u00e1rio, enquanto bandidos deixam a pris\u00e3o em 24h, rindo da justi\u00e7a e amea\u00e7ando v\u00edtimas.<\/p>\n\n\n\n<p><br>A progress\u00e3o de regime e as sa\u00eddas tempor\u00e1rias multiplicam a sensa\u00e7\u00e3o de impunidade e potencializam a reincid\u00eancia. Segundo estudos, cerca de 70% dos presos reincidem pouco ap\u00f3s a soltura. \u201cA progress\u00e3o do regime, concebida como via de ressocializa\u00e7\u00e3o, se transformou em atestado de fracasso funcional, pois concede sempre mais benef\u00edcios ao criminoso do que seguran\u00e7a ao cidad\u00e3o\u201d, alerta Bruno Amorin Carpes em O Mito do Encarceramento em Massa.<\/p>\n\n\n\n<p><br>Na pr\u00e1tica, lamentavelmente, o sistema pune gravemente apenas o cidad\u00e3o honesto, que precisa rezar para n\u00e3o encontrar com o pr\u00f3ximo beneficiado pela \u201csaidinha\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><br><strong>O Brasil N\u00e3o \u00c9 Exce\u00e7\u00e3o: Compara\u00e7\u00e3o Internacional<\/strong><br>Como laborat\u00f3rio da permissividade, o Brasil coleciona fracassos, mas, infelizmente, n\u00e3o est\u00e1 sozinho. M\u00e9xico e Col\u00f4mbia vivem \u00edndices semelhantes, impulsionados pelo mesmo modelo dual de Estado fraco e criminalidade organizada.<\/p>\n\n\n\n<p><br>No Jap\u00e3o e Alemanha, taxas de homic\u00eddio abaixo de 1\/100 mil mostram que rigor repressivo e sociedade disciplinada n\u00e3o produzem apenas estat\u00edsticas, mas pacificam territ\u00f3rios. Nos Estados Unidos, com legisla\u00e7\u00e3o r\u00edgida e cultura de autodefesa, a criminalidade \u00e9 controlada, mesmo sob outras press\u00f5es internas.<\/p>\n\n\n\n<p><br><strong>A Escolha \u00e9 Tr\u00e1gica \u2014 E Urgente<\/strong><br>As estat\u00edsticas voltar\u00e3o a subir, os mortos a se multiplicar e o Estado a se acovardar, caso n\u00e3o se restaure a ordem com leis que funcionem. Pris\u00e3o deve significar reclus\u00e3o: bandido deve estar separado da sociedade, n\u00e3o em f\u00e9rias programadas. Toda alternativa \u00e9 barb\u00e1rie, portanto incongruente com uma na\u00e7\u00e3o civilizada.<\/p>\n\n\n\n<p><br>\u201cA permissividade \u00e9 a semente da barb\u00e1rie\u201d \u2014 Olavo de Carvalho. O tempo dos garantistas deveria acabar. \u00c9 uma quest\u00e3o vital. Ou se aceita que filhos e netos vivam sob leis de fac\u00e7\u00f5es e decis\u00f5es de \u201cmilicianos do direito\u201d, como ocorre hoje em praticamente todas as capitais brasileiras?<\/p>\n\n\n\n<p><br><strong>Perspectivas para a Seguran\u00e7a P\u00fablica<\/strong><br>O horizonte, salvo ruptura dr\u00e1stica, \u00e9 sombrio: aumento do crime organizado, tribunais c\u00famplices, sociedade de ref\u00e9ns e policiais desmoralizados. S\u00f3 resta, como advertia Olavo de Carvalho, \u201crestaurar o direito de reagir, endurecer as leis, encerrar a era das concess\u00f5es e recuperar, pela for\u00e7a leg\u00edtima e por todos os meios l\u00edcitos, a soberania do Estado e a exist\u00eancia da ordem\u201d. Sem coragem para romper o ciclo da impunidade, seremos para sempre o teatro da barb\u00e1rie.<\/p>\n\n\n\n<p><br>Pacifica\u00e7\u00e3o de verdade n\u00e3o ocorre com discursos vazios ou projetos de gabinete dirigidos por aqueles que, na pr\u00e1tica, t\u00eam la\u00e7os prom\u00edscuos com o submundo do crime e solidariedade seletiva aos \u201coprimidos\u201d que aterrorizam a popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><br>Na hist\u00f3ria recente, as raras ilhas de \u00eaxito vieram de abordagem dura, toler\u00e2ncia zero e intelig\u00eancia operacional. Nova York, sob Giuliani, reduziu seus homic\u00eddios em mais de 70% com a pol\u00edtica do \u201cbroken windows\u201d \u2014 rigor em delitos pequenos, policiamento ostensivo, uso integrado de estat\u00edsticas e foco na presen\u00e7a policial em \u00e1reas cr\u00edticas.<\/p>\n\n\n\n<p><br>Medell\u00edn e Bogot\u00e1, em outro hemisf\u00e9rio ideol\u00f3gico, s\u00f3 reduziram seus \u00edndices de homic\u00eddio depois do fechamento das fronteiras a fac\u00e7\u00f5es e mercen\u00e1rios, m\u00e3o pesada contra os chefes do tr\u00e1fico e investimento em tecnologia para investiga\u00e7\u00e3o e rastreio de lideran\u00e7as \u2014 n\u00e3o em \u201cressocializa\u00e7\u00e3o\u201d de quem j\u00e1 fez do crime profiss\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><br>Fechar fronteiras, sufocar rotas do tr\u00e1fico, bloquear fluxos financeiros das fac\u00e7\u00f5es e apostar de verdade em inova\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica s\u00e3o a\u00e7\u00f5es inevit\u00e1veis para alcan\u00e7ar uma m\u00ednima paz. Drones, monitoramento por c\u00e2meras inteligentes, an\u00e1lise de dados em tempo real e integra\u00e7\u00e3o com bancos internacionais de biometria: \u00e9 assim que os pa\u00edses civilizados asfixiam redes criminosas e recuperam territ\u00f3rio perdido \u2014 n\u00e3o caia na lorota do \u201cdesarmamento\u201d e da \u201ccultura da paz\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><br>Tudo isso tem que ser combinado a rigor punitivo e qualifica\u00e7\u00e3o policial: treinamento t\u00e1tico constante, atualiza\u00e7\u00e3o em t\u00e9cnicas de abordagem, simula\u00e7\u00f5es realistas e investimento em intelig\u00eancia para superar a criminalidade sempre criativa. O inimigo \u00e9 forte, conectado e armado \u2014 s\u00f3 uma pol\u00edcia disciplinada, bem treinada e respaldada por leis implac\u00e1veis pode recuperar um m\u00ednimo de civiliza\u00e7\u00e3o nas nossas ruas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<div class=\"tmnf_excerpt meta_deko\"><p>Carlos Henrique Ara\u00fajo \u2013 mestre em sociologia e Curador da Academia da Direita. \u201cN\u00e3o \u00e9 a mis\u00e9ria o motor do crime \u2014 \u00e9 a escolha fria e racional de obter lucro il\u00edcito diante do custo e benef\u00edcio de leis frouxas e Estado ausente.\u201d Pessi e Giardin, em Bandidolatria e Democ\u00eddio, sentenciam: \u201cO bandido n\u00e3o \u00e9 &hellip;<\/p>\n<\/div>","protected":false},"author":1,"featured_media":7438,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[],"class_list":["post-7437","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-brasil-conservador"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/academiadadireita.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7437","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/academiadadireita.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/academiadadireita.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/academiadadireita.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/academiadadireita.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7437"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/academiadadireita.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7437\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":7439,"href":"https:\/\/academiadadireita.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7437\/revisions\/7439"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/academiadadireita.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/7438"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/academiadadireita.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7437"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/academiadadireita.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7437"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/academiadadireita.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7437"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}