{"id":7498,"date":"2026-03-03T16:05:54","date_gmt":"2026-03-03T19:05:54","guid":{"rendered":"https:\/\/academiadadireita.com.br\/blog\/?p=7498"},"modified":"2026-03-23T11:56:36","modified_gmt":"2026-03-23T14:56:36","slug":"reconstruir-ou-perecer","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/academiadadireita.com.br\/blog\/reconstruir-ou-perecer\/","title":{"rendered":"Reconstruir ou Perecer"},"content":{"rendered":"\n<p><br>Carlos Henrique Ara\u00fajo, mestre em sociologia e curador da Academia da Direita.<\/p>\n\n\n\n<p><br>A educa\u00e7\u00e3o brasileira chegou a um ponto em que j\u00e1 n\u00e3o se pode falar em crise, mas, sim, em colapso persistente: um retumbante e vergonhoso fracasso. Investem-se percentuais expressivos do PIB em educa\u00e7\u00e3o, pr\u00f3ximos ou at\u00e9 superiores aos de muitos pa\u00edses ricos, mas o resultado \u00e9 um ensino entre os piores do mundo em leitura, matem\u00e1tica e ci\u00eancias. N\u00e3o \u00e9 falta de dinheiro, \u00e9 abund\u00e2ncia de irresponsabilidade, burocracia, modas pedag\u00f3gicas, ideologia, corrup\u00e7\u00e3o e incompet\u00eancia. A escola brasileira, em vez de elevar o padr\u00e3o intelectual e moral das novas gera\u00e7\u00f5es, tornou-se, em ampla medida, uma m\u00e1quina de produ\u00e7\u00e3o de ignor\u00e2ncia autoconfiante, censura, ressentimento social e depend\u00eancia do Estado.<\/p>\n\n\n\n<p><br>Os resultados de avalia\u00e7\u00f5es internacionais exp\u00f5em esse desastre. Por exemplo, no PISA o Brasil, infelizmente, encontra-se estacionado, h\u00e1 d\u00e9cadas, nas \u00faltimas posi\u00e7\u00f5es, com a maioria esmagadora dos jovens incapaz de interpretar textos simples com seguran\u00e7a, resolver problemas matem\u00e1ticos b\u00e1sicos ou compreender no\u00e7\u00f5es elementares de ci\u00eancias. <\/p>\n\n\n\n<p>A elite pol\u00edtica de esquerda e seus seguidores repetem ad nauseam slogans sobre educa\u00e7\u00e3o transformadora, inclusiva, humanista, mas o que se v\u00ea, na pr\u00e1tica, \u00e9 um sistema que transforma crian\u00e7as curiosas em adolescentes desinteressados, intelectualmente fr\u00e1geis e facilmente manipul\u00e1veis; verdadeiros analfabetos funcionais em muitos planos da realidade. <\/p>\n\n\n\n<p>O pa\u00eds desperdi\u00e7a talentos, intelig\u00eancias e, ao mesmo tempo, alimenta uma casta de burocratas, especialistas e militantes que vivem da mis\u00e9ria intelectual que eles mesmos produzem.<\/p>\n\n\n\n<p><br>Por tr\u00e1s dos n\u00fameros, h\u00e1 tamb\u00e9m uma degrada\u00e7\u00e3o cultural e moral que a esquerda insiste em normatizar. A disciplina foi substitu\u00edda pela permissividade; o respeito ao professor, por um igualitarismo vulgar que coloca discente e docente no mesmo patamar; a autoridade leg\u00edtima, pela tirania da opini\u00e3o desinformada. O resultado \u00e9 um ambiente escolar em que o professor, muitas vezes, \u00e9 ref\u00e9m de alunos, fam\u00edlias omissas e gest\u00f5es covardes. O patriotismo \u00e9 ridicularizado, a moral crist\u00e3 \u00e9 caricaturada, a fam\u00edlia \u00e9 tratada como obst\u00e1culo e n\u00e3o como aliada, enquanto agendas identit\u00e1rias, relativismo moral e panfletagem pol\u00edtica ocupam tempo e espa\u00e7o que deveriam ser dedicados ao ensino s\u00f3lido de conte\u00fados.<\/p>\n\n\n\n<p><br>O n\u00facleo dessa distor\u00e7\u00e3o est\u00e1 na forma\u00e7\u00e3o dos professores. Faculdades de pedagogia e licenciaturas foram capturadas por um dogmatismo esquerdista que idolatra Paulo Freire, relativiza qualquer padr\u00e3o objetivo de excel\u00eancia, transforma sala de aula em laborat\u00f3rio ideol\u00f3gico e em palanque. A preocupa\u00e7\u00e3o central deixou de ser como ensinar bem para se tornar como conscientizar politicamente. M\u00e9todos eficazes de alfabetiza\u00e7\u00e3o, como abordagens f\u00f4nicas baseadas em evid\u00eancias emp\u00edricas, s\u00e3o desprezados em nome de pedagogias de moda; o estudo rigoroso de gram\u00e1tica, l\u00f3gica, matem\u00e1tica, ci\u00eancias e alta cultura cede lugar a atividades vazias, trabalhos sem conte\u00fado e debates pseudo-pol\u00edticos. Uma gera\u00e7\u00e3o de professores mal preparados alimenta outra ainda pior, aprofundando a espiral de mediocridade.<\/p>\n\n\n\n<p><br>Soma-se a isso que o Estado brasileiro montou um aparato de controle centralizado que asfixia qualquer tentativa de inova\u00e7\u00e3o s\u00e9ria. O Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o age como um comissariado ideol\u00f3gico, produzindo diretrizes abstratas, documentos prolixos e curr\u00edculos carregados de compet\u00eancias vagas, mas esvaziados de conte\u00fados objetivos. A BNCC \u00e9 o s\u00edmbolo maior desse modelo: uma carta de inten\u00e7\u00f5es politizadas, mais preocupada em impor uma vis\u00e3o de mundo do que em garantir que um aluno de 15 anos saiba escrever, argumentar, ler um cl\u00e1ssico, outra l\u00edngua, resolver equa\u00e7\u00f5es ou entender o b\u00e1sico das ci\u00eancias. Estados e munic\u00edpios s\u00e3o transformados em executores d\u00f3ceis; a autonomia federativa \u00e9 ignorada; o professor \u00e9 reduzido a aplicador de guias abstratos e burocr\u00e1ticos.<br>O ensino m\u00e9dio \u00e9 o retrato acabado dessa mis\u00e9ria intelectual. Enciclop\u00e9dico, superficial, descolado da vida real, com um n\u00famero absurdo de disciplinas e uma obsess\u00e3o doentia com o tal do Enem; reduz-se a tr\u00eas anos de adestramento para um exame nacional. O que n\u00e3o cai na prova \u00e9 relegado ao esquecimento; o que exige esfor\u00e7o e profundidade \u00e9 trocado por resumos, apostilas e slogans. Forma-se um adolescente que opina sobre tudo sem saber o b\u00e1sico sobre quase nada. N\u00e3o h\u00e1 espa\u00e7o real para forma\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica s\u00e9ria, nem para abordagens diferenciadas; a escola se torna um grande cursinho fraco, ao mesmo tempo em que empurra milh\u00f5es para cursos superiores de baixa empregabilidade, principalmente em humanidades, setor convertido em f\u00e1brica de militantes diplomados e desempregados.<\/p>\n\n\n\n<p><br>No ensino superior, o cen\u00e1rio n\u00e3o \u00e9 menos repugnante. Proliferam cursos de medicina e outras \u00e1reas da sa\u00fade sem controle de qualidade, formando profissionais que, muitas vezes, n\u00e3o dominam o essencial. A avalia\u00e7\u00e3o oficial (Enade) \u00e9 prolixa, pouco transparente, facilmente manipul\u00e1vel, e n\u00e3o cria uma cultura de excel\u00eancia acad\u00eamica. Concursos para p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o e doc\u00eancia s\u00e3o frequentemente viciados por compadrio, endogamia e alinhamento ideol\u00f3gico, n\u00e3o por m\u00e9rito. Pol\u00edticas de cotas amplas e mal desenhadas corroem o princ\u00edpio da excel\u00eancia sem atacar a raiz do problema, que \u00e9 a p\u00e9ssima escola b\u00e1sica. A gratuidade irrestrita nas universidades p\u00fablicas transfere recursos da sociedade inteira, inclusive dos mais pobres, para bancar a forma\u00e7\u00e3o da elite, muitas vezes em cursos que pouco contribuem para o desenvolvimento do pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p><br>Ao mesmo tempo, a escola brasileira negligencia a alta cultura e a forma\u00e7\u00e3o f\u00edsica e est\u00e9tica. M\u00fasica erudita, artes pl\u00e1sticas de excel\u00eancia, literatura cl\u00e1ssica, teatro de n\u00edvel elevado, tudo isso \u00e9 substitu\u00eddo por recortes fragmentados, cultura de massa e experi\u00eancias superficiais. O esporte \u00e9 tratado de maneira improvisada, sem um projeto consistente de base e alto rendimento integrado \u00e0 vida escolar. A tecnologia, quando aparece, \u00e9 mal utilizada: celulares e computadores entram como distra\u00e7\u00e3o ou fetiche modernizador, n\u00e3o como ferramentas bem integradas a um curr\u00edculo e \u00e0 pr\u00e1tica escolar.<\/p>\n\n\n\n<p><br>Lamentavelmente, temos um sistema que n\u00e3o ensina, n\u00e3o forma, n\u00e3o eleva. Ele fragiliza o intelecto, dissolve valores, hostiliza a fam\u00edlia, despreza a tradi\u00e7\u00e3o, destr\u00f3i o m\u00e9rito e pavimenta o caminho para uma sociedade cada vez mais dependente, ressentida e vulner\u00e1vel a projetos autorit\u00e1rios e estatizantes. Seguir assim n\u00e3o \u00e9 uma op\u00e7\u00e3o: \u00e9 escolher, deliberadamente, o atraso permanente.<\/p>\n\n\n\n<p><br>Mas o que fazer? Seguem algumas sugest\u00f5es de estrat\u00e9gias necess\u00e1rias para que o ensino brasileiro se recupere minimamente. Sejamos claros, n\u00e3o h\u00e1 reforma verdadeira poss\u00edvel sem enfrentamento do establishment pedag\u00f3gico, universit\u00e1rio e burocr\u00e1tico que se alimenta do fracasso atual. Uma agenda conservadora, forte e assumidamente de direita, precisa ser clara em seus objetivos: repor a verdade, o m\u00e9rito, a ordem e a liberdade de escolha no cora\u00e7\u00e3o da educa\u00e7\u00e3o brasileira.<\/p>\n\n\n\n<p><br>O primeiro passo \u00e9 colocar o b\u00e1sico no centro. Isso significa abandonar a ilus\u00e3o de que a escola deve salvar o mundo por meio de discursos politizados enquanto mal ensina a ler e somar. Na educa\u00e7\u00e3o infantil e nos anos iniciais, o foco deve ser a alfabetiza\u00e7\u00e3o s\u00f3lida, com m\u00e9todos f\u00f4nicos baseados em evid\u00eancias, desenvolvimento da linguagem oral, forma\u00e7\u00e3o do h\u00e1bito de leitura e dom\u00ednio progressivo da matem\u00e1tica elementar. Concomitantemente, \u00e9 preciso ensinar ci\u00eancias com clareza, com experi\u00eancias simples, linguagem acess\u00edvel e rigor conceitual, e introduzir desde cedo o contato com boa literatura, o aprendizado de outras l\u00ednguas, m\u00fasica de qualidade e artes visuais que elevem a sensibilidade intelectual, n\u00e3o que a embrute\u00e7am e vulgarizem.<\/p>\n\n\n\n<p><br>Isso exige uma revis\u00e3o profunda na forma\u00e7\u00e3o de professores. As faculdades de pedagogia e licenciaturas precisam ser desmontadas em seu vi\u00e9s doutrin\u00e1rio-censurador e reconstru\u00eddas sobre tr\u00eas pilares: dom\u00ednio de conte\u00fado, conhecimento de m\u00e9todos eficazes de ensino e forma\u00e7\u00e3o moral e c\u00edvica alinhada \u00e0 tradi\u00e7\u00e3o da fam\u00edlia brasileira. A ideologia de esquerda, que transformou o professor em agente de transforma\u00e7\u00e3o social a servi\u00e7o de projetos coletivistas, precisa ser substitu\u00edda pelo ideal do mestre que ama o saber, valoriza a verdade, respeita a fam\u00edlia e busca a excel\u00eancia de seus alunos. Uma \u201cresid\u00eancia docente\u201d rigorosa, inspirada na resid\u00eancia m\u00e9dica, deve ser implementada: ningu\u00e9m deveria assumir turmas de forma permanente sem passar por est\u00e1gios longos, acompanhados, avaliados e, se necess\u00e1rio, reprovados.<\/p>\n\n\n\n<p><br>A escola precisa recuperar autoridade, disciplina e hierarquia. Isso n\u00e3o \u00e9 oposto \u00e0 liberdade; \u00e9 condi\u00e7\u00e3o para o seu exerc\u00edcio respons\u00e1vel. O professor deve ter respaldo legal e institucional para impor regras claras de comportamento, aplicar san\u00e7\u00f5es proporcionais e ser protegido contra agress\u00f5es f\u00edsicas ou morais de alunos e fam\u00edlias. O ambiente escolar deve valorizar o trabalho duro, a pontualidade, o respeito ao mais velho, a rever\u00eancia pelo conhecimento e o amor \u00e0 p\u00e1tria. O curr\u00edculo deve contemplar, de modo franco, a heran\u00e7a crist\u00e3 na forma\u00e7\u00e3o da civiliza\u00e7\u00e3o ocidental e brasileira, sem censurar quem pensa diferente, mas tamb\u00e9m sem se dobrar a tentativas de apagar ou ridicularizar essa tradi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><br>No plano institucional, \u00e9 urgente descentralizar e desideologizar o comando da educa\u00e7\u00e3o. O MEC deve ser drasticamente reduzido, abandonando o papel de comando central e passando a ser um \u00f3rg\u00e3o enxuto, voltado a avalia\u00e7\u00f5es s\u00e9rias, transpar\u00eancia de dados e apoio t\u00e9cnico. Estados e munic\u00edpios precisam ter autonomia real para organizar seus sistemas, desde que respeitem um curr\u00edculo m\u00ednimo nacional. Esse curr\u00edculo deve ser curto, objetivo e t\u00e9cnico: conte\u00fados essenciais de l\u00edngua portuguesa, matem\u00e1tica, ci\u00eancias, ci\u00eancias humanas, l\u00ednguas estrangeiras e artes, por etapa, sem proselitismo pol\u00edtico e sem jarg\u00e3o pedag\u00f3gico oco. Tudo o que excede esse m\u00ednimo pertence \u00e0 esfera da liberdade das redes, das escolas e das fam\u00edlias.<\/p>\n\n\n\n<p><br>Isso nos leva a uma pe\u00e7a central de uma agenda verdadeiramente conservadora: o reconhecimento e a prote\u00e7\u00e3o da educa\u00e7\u00e3o em casa (homeschooling) como forma leg\u00edtima e nobre de educar. A educa\u00e7\u00e3o domiciliar n\u00e3o pode ser tratada como crime, nem como mero ap\u00eandice do sistema estatal. Fam\u00edlias que desejam e t\u00eam condi\u00e7\u00f5es de educar seus filhos em casa devem ter o direito de faz\u00ea-lo, com responsabilidade, liberdade e apoio, n\u00e3o sob suspeita e persegui\u00e7\u00e3o. Podem, tamb\u00e9m, contratar professores particulares para auxiliar na tarefa. Como j\u00e1 dito, \u00e9 necess\u00e1rio estabelecer, em lei, um curr\u00edculo m\u00ednimo essencial que assegure que a crian\u00e7a aprenda o fundamental de leitura, escrita, matem\u00e1tica, ci\u00eancias, ingl\u00eas, mas sem transformar o lar em mera reprodu\u00e7\u00e3o do modelo escolar falido.<\/p>\n\n\n\n<p><br>A educa\u00e7\u00e3o em casa deve ser, justamente, uma oportunidade de superar o que a escola estatal n\u00e3o consegue oferecer: instru\u00e7\u00e3o personalizada, ritmo adequado a cada crian\u00e7a, forma\u00e7\u00e3o moral coerente com a f\u00e9 e os valores da fam\u00edlia, contato intenso com livros de qualidade, com a realidade, com o trabalho e com a vida comunit\u00e1ria. Em vez de sufocar o homeschooling com burocracias, o Estado deve simplesmente garantir que o aluno seja periodicamente avaliado em exame externo objetivo, que verifique se atingiu o patamar m\u00ednimo de conhecimento exigido para cada faixa et\u00e1ria. Passado esse teste, o modo como ele chegou l\u00e1 \u00e9 assunto da fam\u00edlia, n\u00e3o do governo. Pais n\u00e3o podem ser reduzidos a meros espectadores ou clientes da escola; s\u00e3o, em primeiro lugar, respons\u00e1veis pela educa\u00e7\u00e3o dos filhos e t\u00eam o direito natural de escolher como ir\u00e3o exerc\u00ea-la.<\/p>\n\n\n\n<p><br>No ensino m\u00e9dio, \u00e9 preciso romper com o modelo enciclop\u00e9dico e com a pasteuriza\u00e7\u00e3o ocasionada pelo Enem. O exame nacional deve ser abolido, devolvendo \u00e0s universidades e faculdades o direito e o dever de selecionar seus alunos mediante vestibulares alinhados \u00e0s especificidades de cada institui\u00e7\u00e3o. Essa mudan\u00e7a abrir\u00e1 espa\u00e7o para que o ensino m\u00e9dio se diversifique: ofertas acad\u00eamicas para quem quer seguir para a universidade, t\u00e9cnicas e profissionais robustas para quem quer ingressar rapidamente no mercado, itiner\u00e1rios formativos que valorizem ci\u00eancia, tecnologia, engenharia, matem\u00e1tica, empreendedorismo, agricultura, ind\u00fastria, tecnologia, artes de alto n\u00edvel. O jovem precisa enxergar sentido pr\u00e1tico no que estuda, sem abandonar a forma\u00e7\u00e3o cultural e moral.<\/p>\n\n\n\n<p><br>O financiamento da educa\u00e7\u00e3o deve ser reorientado para premiar quem entrega resultados e n\u00e3o quem apenas matricula. Fundeb e demais mecanismos de repasse de recursos precisam ser vinculados, em parte significativa, \u00e0 aprendizagem real, medida por avalia\u00e7\u00f5es externas s\u00e9rias, por escola. \u00c9 preciso acabar com a irresponsabilidade com os resultados. Ao mesmo tempo, a burocracia estatal precisa ser reduzida, cortando estruturas in\u00fateis, consultorias ideol\u00f3gicas, projetos de fachada e cursos de forma\u00e7\u00e3o continuada que n\u00e3o geram ganho concreto de aprendizado. O dinheiro economizado deve ir para a sala de aula, infraestrutura digna, materiais de qualidade e professores selecionados com rigor, acompanhados e recompensados pelo m\u00e9rito.<\/p>\n\n\n\n<p><br>No ensino superior, uma reforma profunda \u00e9 inadi\u00e1vel. Universidades p\u00fablicas devem cobrar mensalidades dos estudantes de maior renda, combinadas com sistemas de bolsas e cr\u00e9dito para os mais pobres, com crit\u00e9rios claros de m\u00e9rito, acompanhamento e necessidade. Isso corrigir\u00e1 o absurdo de um pa\u00eds pobre financiar, de gra\u00e7a, a forma\u00e7\u00e3o de filhos da elite em cursos muitas vezes ideol\u00f3gicos e improdutivos. As pol\u00edticas de cotas precisam ser revistas e limitadas com uma estrat\u00e9gia de transi\u00e7\u00e3o que privilegie o fortalecimento da educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica e a cria\u00e7\u00e3o de ambiente de excel\u00eancia para estudantes talentosos; sempre sem romper com o princ\u00edpio de que vagas devem ser ocupadas por quem demonstrar melhor preparo. Os concursos de mestrado, doutorado e de professores devem ser os mais honestos poss\u00edveis e n\u00e3o mera reprodu\u00e7\u00e3o de grupos de privil\u00e9gios e vassalagem.<\/p>\n\n\n\n<p><br>A governan\u00e7a das universidades deve ser retirada das m\u00e3os de sindicatos e grupos militantes. Reitores e dirigentes precisam ser escolhidos por m\u00e9rito acad\u00eamico e capacidade de gest\u00e3o, mediante crit\u00e9rios objetivos, metas de desempenho e avalia\u00e7\u00f5es peri\u00f3dicas, n\u00e3o por elei\u00e7\u00f5es de car\u00e1ter sindical. A avalia\u00e7\u00e3o dos cursos, por meio de um novo sistema em substitui\u00e7\u00e3o ao Enade atual, deve ser t\u00e9cnica, transparente, com provas exigentes e compar\u00e1veis, permitindo que sociedade, fam\u00edlias e mercado conhe\u00e7am com clareza quais institui\u00e7\u00f5es e cursos entregam qualidade e quais apenas consomem recursos.<\/p>\n\n\n\n<p><br>O setor privado deve ter sua import\u00e2ncia reconhecida e ampliada. Escolas particulares precisam ter liberdade para adotar projetos pedag\u00f3gicos pr\u00f3prios, confessionais ou n\u00e3o, cl\u00e1ssicos ou inovadores, desde que cumpram um n\u00facleo m\u00ednimo de conte\u00fados. Estados e munic\u00edpios deveriam contratar vagas em escolas privadas de bom desempenho, por meio de bolsas vinculadas ao m\u00e9rito e \u00e0 renda, para alunos pobres, criando competi\u00e7\u00e3o saud\u00e1vel, elevando o padr\u00e3o geral e rompendo com o monop\u00f3lio estatal de fato. Parcerias p\u00fablico-privadas n\u00e3o podem se limitar \u00e0 constru\u00e7\u00e3o de pr\u00e9dios; devem incluir gest\u00e3o, professores, metas e responsabiliza\u00e7\u00e3o, aproveitando experi\u00eancias bem-sucedidas como as do Sistema S, que, apesar de ajustes necess\u00e1rios, mostram que \u00e9 poss\u00edvel fazer forma\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica s\u00e9ria no Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p><br>A tecnologia e a intelig\u00eancia artificial devem ser incorporadas como aliadas, n\u00e3o como fetiche. Elas podem ampliar o alcance dos melhores professores, facilitar o acompanhamento individual de alunos, corrigir milhares de exerc\u00edcios em pouco tempo, ajudar na identifica\u00e7\u00e3o de lacunas de aprendizagem e fornecer diagn\u00f3sticos finos para gestores. Mas nada disso substitui o professor competente, a aula bem dada e o estudo disciplinado. A prioridade continua sendo reconstruir o b\u00e1sico; tecnologia entra como multiplicador, n\u00e3o como substituto.<\/p>\n\n\n\n<p><br>Ainda, \u00e9 preciso recolocar a fam\u00edlia e n\u00e3o o Estado no centro do projeto educacional. Uma na\u00e7\u00e3o que entrega seus filhos, inteiramente, a um sistema escolar dominado por ide\u00f3logos e burocratas hostis \u00e0 sua pr\u00f3pria cultura est\u00e1 assinando sua senten\u00e7a de decad\u00eancia. A estrat\u00e9gia \u00e9 clara: devolver \u00e0s fam\u00edlias a liberdade de escolher (escola p\u00fablica, privada, confessional, comunit\u00e1ria ou educa\u00e7\u00e3o em casa), devolver aos professores o respeito e a autoridade, devolver \u00e0 escola a miss\u00e3o de instruir e formar, devolver \u00e0 universidade o compromisso com a verdade e a excel\u00eancia, devolver \u00e0 juventude o direito de aspirar a algo maior do que a mediocridade e o ressentimento.<\/p>\n\n\n\n<p><br>Reconstruir a educa\u00e7\u00e3o brasileira \u00e9 uma tarefa geracional. Mas ela come\u00e7a com uma decis\u00e3o pol\u00edtica e moral: romper com a cartilha da esquerda, abandonar a ilus\u00e3o do Estado pedagogo e afirmar, sem medo, que s\u00f3 uma educa\u00e7\u00e3o ancorada em verdade, m\u00e9rito, fam\u00edlia, f\u00e9, trabalho e liberdade ser\u00e1 capaz de tirar o Brasil do atraso cr\u00f4nico.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<div class=\"tmnf_excerpt meta_deko\"><p>Carlos Henrique Ara\u00fajo, mestre em sociologia e curador da Academia da Direita. A educa\u00e7\u00e3o brasileira chegou a um ponto em que j\u00e1 n\u00e3o se pode falar em crise, mas, sim, em colapso persistente: um retumbante e vergonhoso fracasso. Investem-se percentuais expressivos do PIB em educa\u00e7\u00e3o, pr\u00f3ximos ou at\u00e9 superiores aos de muitos pa\u00edses ricos, mas &hellip;<\/p>\n<\/div>","protected":false},"author":1,"featured_media":7501,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[],"class_list":["post-7498","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-brasil-conservador"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/academiadadireita.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7498","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/academiadadireita.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/academiadadireita.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/academiadadireita.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/academiadadireita.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7498"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/academiadadireita.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7498\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":7499,"href":"https:\/\/academiadadireita.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7498\/revisions\/7499"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/academiadadireita.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/7501"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/academiadadireita.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7498"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/academiadadireita.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7498"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/academiadadireita.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7498"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}